terça-feira, 30 de junho de 2015

Jejum e Oração



O que é o Jejum?

É a completa abstinência de alimento, exceto água, por um período determinado de tempo acompanhado de consagração e oração. Mais do que qualquer outra disciplina espiritual o jejum é alvo mais frequente de ataques e resistências. Para muitos hoje a ideia de ficar sem comer por vinte e quatro horas parece extremamente penoso. E muitos possuem o falso conceito de que o jejum é prejudicial para o organismo. Mas a verdade é que o jejum é bíblico e trata-se de uma prática genuinamente cristã. Homens de Deus como Moisés, Davi, Elias, Ester, Daniel, Ana, Paulo e o próprio Jesus jejuaram. Também jejuaram homens de Deus no decorrer da história como Martinho Lutero, João Calvino. Jonh Knox, João Wesley, Jonatham Edwards, Charles Finney, David Brainerd e muitos outros.

Se todos esses homens sentiram a necessidade do jejum, certamente não podemos abrir mão dele. Se desejamos ter o resultado ministerial de tais homens precisamos ter as mesmas práticas espirituais que os fizeram ser bem sucedidos. O jejum, porém, não deve ser entendido apenas como abstinência de alimentos. É preciso também haver muita oração. O jejum bíblico tem o objetivo unicamente espiritual.



Devemos jejuar?

Não há regras na Bíblia sobre quando e como jejuar. Também não existe uma ordem bíblica para jejuar. No Velho Testamento havia somente um dia de jejum instituído para toda a nação: o dia da Expiação (Lv 23.27). Mais tarde, nos dias de Jeremias esse dia ficou conhecido como “o dia do jejum” (Jr 36.6). Certamente é a esse dia que Paulo se refere como “o dia do Jejum” em Atos 27.9. Todavia não existe nas escrituras nenhuma ordem para jejuarmos.

Isso, porém não significa que não precisamos jejuar. Apesar de haver uma ordem existem muitos exemplos de homens de Deus que jejuaram e desta forma sugere que também o faríamos. Quando lemos o ensino de Jesus não há como negar que o Senhor espera que jejuemos (Mt 6.16-18). Observe que o Senhor não disse “se jejuardes…”, mas “quando jejuardes…” Isso revela que ele esperava que os discípulos jejuassem. Ele até os instruiu quanto à motivação e a maneira como deveriam jejuar. E quando disse que o Pai os recompensaria estava demonstrando que o jejum realmente funciona. A recompensa que devemos esperar em nosso jejum é a resposta das nossas orações. Quando o Senhor mandou que os apóstolos ensinassem tudo o que ele tinha ordenado, certamente o ensino do jejum estava incluído (Mt 28.20).

Os evangelhos mostram que o próprio Jesus praticou o jejum, e lemos em Atos que os líderes da Igreja também o faziam. Registros históricos dos pais da igreja também revelam que o jejum continuou sendo observado como prática dos crentes muito tempo depois dos apóstolos. Segundo a história os cristãos do primeiro século costumavam jejuar dois dias por semana. O jejum, portanto, deve ser parte de nossas vidas e praticado de forma equilibrada, dentro do ensino bíblico.

Embora o próprio Senhor Jesus tenha jejuado por quarenta dias e quarenta noites no deserto, e muitas vezes ficava sem comer quando não tinha tempo de se alimentar porque estava ministrando ao povo (Mc 6.31), e também quando passava as noites só orando sem comer (Mc 6.46). Precisamos, entretanto, reconhecer que Ele e seus discípulos não observavam o jejum dos judeus de seus dias (exceto o do dia da Expiação). Era costume dos fariseus jejuar dois dias por semana (Lc 18.12), mas Jesus e seus discípulos não o faziam. Aliás, chegaram a questionar a Jesus acerca disto (Lc 5.33-35). O Senhor não disse que era errado jejuar, mas afirmou que quando ele fosse tirado os discípulos haveriam de jejuar. Ele estava afirmando que depois de sua partida a igreja jejuaria.

O Senhor deixou bem claro que a prática do jejum nos moldes dos fariseus estava errada. A motivação era impura, as pessoas jejuavam para mostrar aos outros sua espiritualidade e religiosidade supostamente superior. O Senhor disse que a maneira correta de jejuar é sem alarde, em secreto. O jejum é uma completa perda de tempo quando feito com motivação errada. Isso foi claramente mostrado pelo Senhor no Velho Testamento. Naquele tempo o povo começou a perguntar para Deus (Is 58.3a). E a resposta de Deus foi porque estavam jejuando de maneira errada (Is 58.3b, 4).

Se jejuarmos da maneira de Deus, certamente a nossa oração será ouvida. Não veja o jejum como uma espécie de penitência que você faz com o intuito de persuadir a Deus a fazer algo que ele não quer fazer. O jejum não muda a Deus. Ele é o mesmo antes, durante e depois de seu jejum. Mas, jejuar com certeza mudará você. Vai lhe ajudar a ser mais sensível ao Espírito de Deus. O jejum não atinge a Deus, mas toca em nossa carne. O jejum não tornará Deus mais bondoso ou misericordioso para conosco, mas ele está relacionado à nossa necessidade de romper com as barreiras e limitações da carne e do corpo. O jejum desperta o nosso espírito, pois mortifica a carne e aflige a nossa alma.

Qualquer um que procura mais intimidade com Deus já percebeu o quanto o nosso corpo pode ser um obstáculo para essa comunhão. Quando jejuamos o corpo se abate, o nosso espírito se levanta e nossa fé é liberada com mais ousadia e podemos ter mais enchimento do Espírito Santo. Não é por acaso que o Senhor Jesus falou da ilustração dos odres novos e velhos justamente quando ensinou sobre o jejum (Mc 2.22). O odre era um recipiente feito de couro usado para colocar o vinho no seu processo de fermentação. O problema é que o odre quando ficava velho se ressecava e perdia a elasticidade. O vinho novo, ainda em processo de fermentação, precisava ser colocado num odre novo que pudesse se expandir na medida em que ele fermentasse. Se o vinho novo fosse colocado naquele odre velho e ressecado ele se romperia por causa da expansão causada pela fermentação.

Com essa ilustração Jesus estava ensinado que o vinho novo que Ele traria (o Espírito Santo) deveria ser colocado em odres novos, e o odre (ou recipiente do vinho) é nosso corpo. Creio que o Senhor está dizendo com isto que o jejum tem o poder de “renovar” o nosso corpo. A Escritura ensina que a carne milita contra o espírito, e a melhor maneira de receber o vinho do Espírito, é entrando num processo de mortificação da carne.

Todo homem de Deus concorda que o propósito primário do jejum é mortificar a carne para nos fazer mais sensíveis ao Espírito Santo. Não pense, porém, que o jejum tem algum poder nele mesmo como uma espécie de poder mágico. Não tenha fé no jejum, tenha fé em Deus. A verdade é que o jejum ajuda a liberar a nossa fé. A fé está em nosso espírito e quando o espírito é liberado a fé se manifesta. Quando Jesus disse aos discípulos que não puderam expulsar um demônio por falta de jejum (Mt 17.21), Ele também disse que o problema era a falta de fé (Mt 17.19,20). O Senhor disse que o jejum e a fé formam uma combinação explosiva.

O jejum ajuda a liberar a fé! O que nos dá vitória sobre o inimigo é o que Cristo fez na cruz e a autoridade do seu nome. O jejum em si não nos faz vencer, mas libera a fé para o combate e nos fortalece, fazendo-nos mais conscientes da autoridade que nos foi delegada.

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